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"A sociedade em seu conjunto terá de mudar, porque é ela quem autoriza, hoje, a barbárie policial"

"A sociedade em seu conjunto terá de mudar, porque é ela quem autoriza, hoje, a barbárie policial"

Entrevistas
A desmilitarização da polícia, uma das bandeiras das jornadas de junho, sempre foi uma das principais de Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública, professor da UERJ e antropólogo. Nesta entrevista, o autor de mais de 20 livros, entre eles Tudo ou Nada, Elite da Tropa e Cabeça de Porco, explica o motivo de sua defesa, e aponta que este é apenas o primeiro passo para o caminho árduo de construção de uma sociedade "efetivamente democrática e comprometida com o respeito aos direitos humanos". Luiz Eduardo foi um dos principais elaboradores da PEC-51 - recentemente apresentada pelo senador Lindbergh Farias (PT/RJ) - que visa, segundo ele, reformar o modelo policial. Nós temos uma polícia e um corpo de bombeiros que é militar. Você há muito tempo defende a desmilitarização. Por quê...

Inflação no Brasil: um assunto delicado

Artigos e Opniões
Alta de 0,92% da inflação em dezembro leva taxa básica de juros a 10,5% e assusta aqueles que foram traumatizados pela hiperinflação dos anos 1990 O pavor da inflação, uma espécie de assombração brasileira, foi tema de uma reportagem da revista Economist nesta quinta-feira, 16. Além do óbvio custo econômico da desvalorização do real frente ao dólar (a moeda brasileira fechou o ano um terço abaixo do patamar registrado há três anos, quando Dilma assumiu a presidência), a revista lembra que a alta da inflação também representa um fardo político capaz de “eleger ou derrotar um governo”, uma frase de efeito do senador tucano Álvaro Dias pinçada pela revista inglesa. O temor da volta da inflação descontrolada no Brasil não é infundado, diz a revista.  A maioria dos adultos brasileiros lembra a ...

O modelo americano de polícia: Uma comparação com o Brasil

Artigos e Opniões
Bom senso Por: Eliel Teixeira – Xerife no Departamento de Los Angeles Há algum tempo tenho tido contato com o Xerife Eliel Teixeira da cidade de Los Angeles e temos trocado algumas informações sobre os movimentos de “reforma policial” no Brasil e o modelo de polícia americano. Pedi a ele que quando tivesse um tempinho nos explicasse como a polícia funciona por lá, para minha surpresa ele me enviou um texto fantástico que nos mostra que nós, do Policiamento Inteligente, estamos no caminho certo. Senti-me honrado em receber sua resposta e em poder postar um texto riquíssimo aqui em nosso Blog. Tenham uma boa leitura. (Aderivaldo Cardoso – Coordenador do Movimento Policiamento Inteligente) Com os últimos acontecimentos, muito tem se falado sobre a necessidade de uma reforma profunda e compree...

Policial Conta Como Apreendeu o Helicóptero do Pó

Artigos e Opniões
Ao longo de um mês, conversei com o agente federal Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli — o Pacheco — sobre uma de suas rotineiras apreensões de cocaína no meio do mato. Com 38 anos, lotado na Delegacia de Repressão à Entorpecentes de Vitória/ES, Pacheco é formado em Ciências Sociais, com mestrado em Inteligência Policial e Políticas Públicas. Trabalha como policial há 21 anos — sendo nove desses na Polícia Federal — e foi um dos responsáveis pela operação polêmica que apreendeu quase meia tonelada de pó no helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), ambos aliados do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em novembro do ano passado. O objetivo da entrevista era reconstruir toda a investigação que culminou no flagrante, mas acabei...
Carregando o piano

Carregando o piano

Entrevistas
Ao longo de um mês, conversei com o agente federal Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli — o Pacheco — sobre uma de suas rotineiras apreensões de cocaína no meio do mato. Com 38 anos, lotado na Delegacia de Repressão à Entorpecentes de Vitória/ES, Pacheco é formado em Ciências Sociais, com mestrado em Inteligência Policial e Políticas Públicas. Trabalha como policial há 21 anos — sendo nove desses na Polícia Federal — e foi um dos responsáveis pela operação polêmica que apreendeu quase meia tonelada de pó no helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), ambos aliados do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em novembro do ano passado. O objetivo da entrevista era reconstruir toda a investigação que culminou no flagrante, mas acabei...

Por trás da crise na segurança pública e penitenciária

Artigos e Opniões
Opinião A crise que envolve o sistema prisional e a segurança pública no Maranhão não é restrita a esse Estado. Em maior ou menor grau o problema é nacional. Estão aí os casos registrados rotineiramente em outras unidades da Federação. Isso, evidentemente, não minimiza o problema do Maranhão. E o governo do Estado tem de enfrentá-lo. Já o governo federal deve ocupar-se do fato em todos os Estados brasileiros. Isso implica a elaboração e execução de um programa nacional de segurança pública e penitenciária, que não fique adstrito aos arquivos dos computadores e pastas almofadadas dos ministérios. Um plano que resulte da análise dos problemas do setor, com definição de medidas viáveis, eficientes e eficazes, fiscalizadas não só para seu cumprimento, mas, acima de tudo, para não serem minadas...

Luiz Eduardo Soares: Homenagem a meus amigos policiais

Artigos e Opniões
Militando pela democratização da segurança pública, como condição para a democratização da democracia no Brasil, sempre sonhei com o dia em que essa bandeira seria dos policiais, dos que estão nas ruas carregando o piano, prevenindo, investigando, mediando, evitando a judicialização precoce, garantindo direitos, impedindo sua violação com equidade, tornando prática concreta a ideia de que justiça tem de valer para todos, sem distinções, sem racismo, tornando real o valor da universalidade do bem público: segurança. Pois aí está. O sonho começa a se realizar. Os policiais pela democracia, os policiais e as policiais pela desmilitarização, os policiais como protagonistas da luta pelo ciclo completo e a carreira única, e tantas outras mudanças inadiáveis. Basta de criminalizar a pobreza e os ...

Por trás da crise na segurança pública e penitenciária

Entrevistas
A crise que envolve o sistema prisional e a segurança pública no Maranhão não é restrita a esse Estado. Em maior ou menor grau o problema é nacional. Estão aí os casos registrados rotineiramente em outras unidades da Federação. Isso, evidentemente, não minimiza o problema do Maranhão. E o governo do Estado tem de enfrentá-lo. Já o governo federal deve ocupar-se do fato em todos os Estados brasileiros. Isso implica a elaboração e execução de um programa nacional de segurança pública e penitenciária, que não fique adstrito aos arquivos dos computadores e pastas almofadadas dos ministérios. Um plano que resulte da análise dos problemas do setor, com definição de medidas viáveis, eficientes e eficazes, fiscalizadas não só para seu cumprimento, mas, acima de tudo, para não serem minadas pela co...

O que ouvem os trabalhadores

Artigos e Opniões
Discurso Sindical Quando se compreende o movimento sindical como parte do movimento mais amplo e geral dos trabalhadores que se desdobra, por exemplo, nas esferas política, social, cultural, esportiva e religiosa, ampliando a exclusiva preocupação com o econômico – característica do sindicalismo – é que vale a pena analisar os diferentes discursos que são enunciados na vida diária dos trabalhadores. Há o discurso patronal que, decorrente da hegemonia de classe, tem forte e continuado apelo nas fábricas, nos escritórios, nas lojas, nas agências bancárias e em todos os locais de trabalho, mesmo para os autônomos e profissionais liberais. Comparecem também os diferentes discursos político-partidários, os demagógicos, os radicais e os ponderados. Ainda que sejam veiculados quase que apenas dur...

Servidor Público

Artigos e Opniões
A prioridade dos servidores públicos federais para 2014 será a campanha salarial, com foco em novos reajustes que reponham as perdas inflacionárias. Prometem desafiar a presidente Dilma Rousseff, enfrentar as críticas dos analistas do mercado financeiro e ameaçam cruzar os braços já na primeira quinzena de março, para pressionar a equipe econômica - que se diz em um dilema entre aumentar ou os gastos com a máquina ou os investimentos - a rever suas prioridades, em período particularmente decisivo de eleições presidenciais e de Copa do Mundo. A insatisfação é generalizada. Envolve desde os trabalhadores da base, o chamado carreirão, até os de elite, apelidados pela presidente Dilma de “sangues-azuis”. Os ânimos ficaram ainda mais alterados após a mensagem de fim de ano, na qual Dilma dizia ...