Notícias
MPF pode denunciar 170 casos de violação de direitos durante ditadura
Dados fazem parte de relatório a ser divulgado nos próximos dias. Para órgão, sequestros são 'imprescritíveis e insuscetíveis de anistia'.
Por: Mariana Oliveira
O Ministério Público Federal investiga cerca de 170 casos de violação de direitos humanos durante o regime militar no Brasil (1964-1985). Dessas apurações, quatro já viraram processos que estão em andamento e novas denúncias devem ser enviadas pelo MP à Justiça nos próximos meses.
Os dados fazem parte do relatório "Crimes da Ditadura", apresentado no mês passado em seminário da Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA). O documento de 128 páginas deve ser divulgado oficialmente pelo MPF nos próximos dias.
O relatório foi feito com base em investigações do Grupo de Trabalho Justiça d...
Criação de TRFs dará mais celeridade à segunda instância
ACESSO À JUSTIÇA
Por Vallisney de Souza Oliveira
Em passado recente costumava-se apontar como um dos principais obstáculos para a demora da Justiça o reduzido número de juízes em relação à população. Para sair do quadro de insuficiência de recursos humanos foram providos nas duas últimas décadas milhares de cargos de juízes estaduais, do trabalho, militares e federais, mediante concursos públicos, ascendendo à magistratura e aos seus serviços auxiliares, e às demais funções essenciais à Justiça, inúmeros profissionais, com alargamento considerável do acesso aos consumidores da Justiça no Brasil.
Diferente ficou a situação do segundo grau da Justiça, isto é, dos cargos de juízes necessários para, entre outras competências, examinar os recursos contra as decisões dos juízes iniciais da causa...
Cale a boca, policial!
Opinião
Por: Josias Fernandes Alves
A postura da presidente Dilma Roussef em relação a recentes críticas feitas pelo empresário Jorge Gerdau deveria servir de lição aos dirigentes da Polícia Federal. O empresário afirmou que a “burrice” de criar mais ministérios está no limite. "Todas as pessoas têm o direito de criticar este governo", respondeu a presidente, numa salutar demonstração que sabe conviver – democraticamente - com opiniões desfavoráveis.
Em entrevista publicada pela Folha de S. Paulo, o empresário usou termos contundentes para expressar sua opinião. "Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Nós provavelmente estamos no limite desse período", disse. Para ele, o governo precisaria "trabalhar com meia dúzia de ministé...
'A sociedade não gosta da polícia'
Rio de Janeiro
Como pai do projeto de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), José Mariano Beltrame tem razões de sobra para alardear as conquistas do projeto, carro-chefe da política de segurança do Rio. Mas o secretário de Segurança do Rio prefere não comemorar, e reconhece que há problemas na empreitada que, como repete, visa a acabar com a violência causada pelo tráfico de drogas, não com a venda de entorpecentes propriamente dita. Camisa social, à vontade, Beltrame recebeu o site de VEJA para uma longa entrevista às vésperas de comandar a operação policial para a criação da 31ª e da 32ª dessas unidades, no Complexo do Caju e na Barreira do Vasco, na Zona Norte da capital. "As pessoas têm uma expectativa superpositiva em cima de segurança pública. Mas de repente acontece alguma coisa....
Gerdau critica o governo louco, burro e irresponsável do PT.
O empresário Jorge Gerdau acha que o Brasil precisa "trabalhar com meia dúzia de ministérios" e não com as 39 pastas da administração de Dilma Rousseff -no fim do governo do tucano Fernando Henrique Cardoso eram 24.
O inchaço se dá por contingências políticas, mas "tudo tem o seu limite", diz o presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência. Em entrevista à Folha e ao UOL na terça-feira, ele completou: "Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Nós provavelmente estamos no limite desse período".
Em uma de suas raras entrevistas, Gerdau disse conversar sobre esse assunto com a presidente da República, a quem elogia. "Eu já dei um toque na presidenta." Embora enxergue avanços na gestão do país, suas previsões são de lo...
Pra reflexão – Francisco Carlos Garisto
Ninguém ganhou, ninguém perdeu
Por: Valacir Marques Gonçalves
Falar sobre o Garisto é um desafio. Olhar com imparcialidade um ciclo é algo que precisa ser feito com o devido distanciamento histórico, pois certos acontecimentos só são entendidos muito tempo depois. Mesmo correndo esse risco, não posso deixar de comentar a influência desta figura emblemática em nosso meio, e do tipo de liderança exercida por ele no movimento sindical da Polícia Federal.
Tive com o Garisto períodos de aproximação e de distanciamento. Estivemos próximos em muitas paradas e nos distanciamos em outras. Gastamos o português com elogios mútuos, mas também garimpamos os piores insultos para trocarmos quando nos desentendemos, o que fizemos sem a menor cerimônia – foi um equívoco. Acabamos percebendo que isso não le...
''A aprovação da PEC 37 criará o caos nas investigações''
Entrevista Alexandre Camanho
Uma comissão especial da Câmara aprovou em novembro um polêmico projeto para emendar a Constituição. A PEC 37 modifica a Constituição para definir que apenas as polícias podem iniciar uma investigação. Na prática, o projeto tira o poder do Ministério Público, que atualmente se destaca como um dos principais órgãos de combate à corrupção no Brasil.
Para ser aprovado, o texto ainda precisa passar por duas votações na Câmara e duas no Senado. Mas a aprovação em comissão especial no mesmo mês em que o Supremo Tribunal Federal encerrava o julgamento de um dos principais escândalos do país, o mensalão, foi o suficiente para iniciar a polêmica. A PEC foi rapidamente apelidada pela associação dos procuradores da República como "PEC da Impunidade", enquando os delegados...
No mundo de Jack Bauer
Tortura
Por: Marcelo Coelho
Contardo Calligaris apresentou aqui, na quinta-feira passada, alguns argumentos interessantes a favor da tortura. Acho que sua intenção foi mais colocar o assunto em debate e menos defender sua adoção no Brasil.
Mesmo porque ela já existe, com resultados discutíveis do ponto de vista da segurança pública.
"O saco plástico do capitão Nascimento funciona", escreve Contardo. Os interrogatórios de Jack Bauer, na série "24 Horas", também funcionam, repete o psicanalista.
Pode ser. Não me considero um "bonzinho", desses que querem um mundo perfeito, utópico, ideal. Querer eu quero, mas sei que a realidade não corresponde a todos os sonhos que temos.
O problema, eu acho, é quando se quer ser "realista" demais. Um mundo sem tortura? Com Bin Laden e terroristas variados ...
Para que serve a tortura?
Psicanálise
Por: Contardo Calligaris
A tortura tem, no mínimo, três fins não excludentes: 1) tortura-se pelo prazer enjoativo de quem tortura ou de quem assiste à tortura; 2) tortura-se para que um acusado confesse seu crime; 3) tortura-se para que um acusado revele a existência de um complô, os nomes de seus cúmplices etc. Será que a tortura consegue tudo is
1) Para satisfazer o desejo doentio do torturador, a tortura funciona, sempre
2) A Igreja Católica, por séculos, torturou pecadores para que admitissem seus pecados e, sobretudo, torturou heréticos para que confessassem suas teologias desviantes
Essa tortura era tão violenta quanto a que fora praticada contra cristãos na época das perseguições, mas o desfecho era diferente. Os mártires cristãos eram torturados para eles renunciarem à...