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Lições do mensalão

Artigos e Opniões
Por: Thiago Bottino O julgamento do mensalão ainda não terminou, mas independentemente do resultado final de penas, condenações e absolvições, é possível apontar importantes transformações no país. A primeira delas é a certeza de que nossas instituições funcionam. Somos uma democracia jovem, cuja Constituição tem 24 anos de idade. Nosso país vinha de uma ditadura de 25 anos na qual as liberdades civis e políticas foram duramente suprimidas. Construir práticas democráticas e republicanas não é tarefa rápida. No entanto, temos motivos para nos orgulharmos. A imprensa funciona. Teve ampla liberdade e foi capaz de cumprir a importante função de noticiar fatos à população e fiscalizar o funcionamento do Estado. Foi graças às entrevistas publicadas em grandes veículos que se iniciaram as investi...

A PEC 37 e a “emepêfobia” ou “que tal uma outra PEC”?

Artigos e Opniões
Senso Incomum Por: Lenio Luiz Streck Caricatura Explicação propedêutica A coluna de hoje deveria tratar da parte II do “Cego de Paris”, em que desmi(s)tificaria (e ainda o farei) o “princípio” (sic) da verdade real. Mientras tanto, por ter estado na Colômbia en clases naUniversidad Javeriana, tive contato com o sistema acusatório por lá implantado, em que o Ministério Público tem um relevante papel na investigação criminal, com poderes, inclusive, para decretar escutas e condução de testemunhas. Por isso, uma vez que estão ocorrendo reuniões — no Congresso Nacional — para “aprimorar” (sic) a PEC 37, tenho por obrigação trazer algumas observações sobre a temática. Por isso, peço que os leitores me perdoem por não trazer, hoje, a parte II da coluna do Cego de Paris. Além disso, a presente co...

Como melhorar a qualidade de vida no trabalho?

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Por: Carla Sabrina Xavier Antloga Psicóloga do trabalho, doutora em psicologia social, do trabalho e das organizações, é professora adjunta no Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) Assunto em pauta tanto em ambientes de empresas públicas quanto no setor privado, a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) será tema do II Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida no Trabalho no Serviço Público Brasileiro, que ocorrerá em agosto (28 a 30), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Sob o “guarda-chuva” da QVT, no entanto, muitas questões têm sido tratadas, com diferentes abordagens. A corrente hegemônica em vigor no Brasil atual é a linha assistencialista, cuja leitura do trabalhador como “recurso humano” promove u...

O sonho virou realidade

Entrevistas
Escrivão da PF torna-se Juiz Federal. Como realizar um sonho? Foram noites e feriados dedicados a longos estudos, 12 horas por dia de preparação, muito apoio e paciência da família, para que o Escrivão de Polícia Federal (EPF), Carlos Eduardo da Silva Camargo, vencesse mais um desafio em sua vida: passar no concurso e se tornar Juiz Federal da 3ª Região em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ele assumirá o cargo na próxima semana e novamente se dedicará a um curso interno. Carlos Eduardo da Silva Camargo tem 40 anos, é formado em Direito e trabalhou no IBGE em 1991. Em 1992, ingressou como Escrivão na Polícia Civil de São Paulo. Continuou se preparando até chegar ao cargo de Escrivão da Polícia Federal em 1995. Desde então trabalhou com afinco na PF completando um ciclo que durou17 anos. Em su...

Mariz de Oliveira: "Vivemos a era da violência sem causa"

Entrevistas
O criminalista, antes contrário à redução da maioridade penal, mudou de opinião – mas diz que antes é preciso resolver outros problemas, como o dos presídios PATOLOGIA O criminalista Mariz de Oliveira no seu escritório, em São Paulo. “Hoje, o assaltante despoja você de todos os seus bens e depois dá um tiro na cara” (Foto: Marcelo Min/Fotogarrafa/ÉPOCA) Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, de 67 anos, é um dos mais experientes advogados criminalistas do Brasil. Foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e é conselheiro do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). Atuou em casos importantes, como o Collorgate e o mensalão. Nunca escondeu sua simpatia política pelos partidos de esquerda – na ditadura, apoiou o MDB. Mesmo quando esteve à frente da Secretaria da Segurança Pú...

Seca revela fósseis de animais da Era do Gelo no Agreste pernambucano

Notícias
Ossos foram encontrados em lago no topo de uma serra, em Caruaru. Descoberta intriga moradores da região e vira desafio para pesquisadores. Uma descoberta paleontológica no Agreste pernambucano intriga moradores da região e pesquisadores. Com a forte estiagem que abate o Nordeste brasileiro, uma espécie de lago entre pedras no topo de uma serra no sítio Carneirinhos, em Dois Riachos, na zona rural de Caruaru, a 130 quilômetros do Recife, secou completamente pela primeira vez, revelando centenas de fragmentos de fósseis de animais pré-históricos. Entre eles, há exemplares da megafauna, que habitaram a região na conhecida Era do Gelo, há pelo menos 10 mil anos atrás. Com as chuvas das últimas semanas, o reservatório voltou a encher, mas a curiosidade permanece. Aos poucos, o local começou a ...

A arma que mata está com o criminoso. (Parte 1)

Artigos e Opniões
A arma que mata está com o criminoso. (Parte 1) » Por: Humberto Wendling Uma arma de fogo é um objeto inofensivo por natureza. Tão inofensivo quanto a faca que corta o pão; a madeira do pé de mesa; a viga que sustenta uma casa; as mãos que pintam quadros; as pernas que jogam bola; a panela de pressão que cozinha o alimento. A arma de fogo no coldre do policial, além de inofensiva, é o instrumento que o protege daqueles empenhados desde cedo no crime e na violência gratuitas contra a comunidade. Uma arma nas mãos do homem bom é a última linha de defesa pessoal e familiar (talvez sua última chance) contra o resultado da política barata de segurança pública. Armas de fogo, facas, pedaços de madeira, vigas metálicas, mãos, pernas e panelas são itens inertes. Apesar disso, uns são vitais, outro...

Uma análise aprofundada: PEC 37:

Artigos e Opniões
Poderes investigativos do MP e a PEC 37 Por: Tercio Fagundes Caldas PEC 37 é assunto de fundamental importância não só para os membros das carreiras jurídicas: advogados, juízes e órgãos ministeriais; mas, igualmente, para estudiosos do direito, acadêmicos, estudantes, policiais – delegados ou não, e, em última análise, para toda a sociedade civil. A importância e relevância do tema estão diretamente ligadas ao quadro endêmico de violência que experimentamos em todo o País. Qual é essa relação? O assunto abordado aqui se refere a PEC 37, e não ao inquérito policial, propriamente dito. Mas, esse tema debatido na Proposta Emenda a Constituição, se refere em certa dose, ao "modelo" de persecução criminal brasileiro, e que se inicia com o inquérito policial, que ficará reforçado se houver esse...

‘A redução da maioridade penal só favorece o crime’

Entrevistas
‘A redução da maioridade penal só favorece o crime’ » Ápice da crise entre Congresso e STF, o ministro da Justiça prefere manter distância. O que não significa que José Eduardo Cardozo seja um homem sem opinião. Principalmente quando o assunto é a redução da maioridade penal: "Sou contra. Quem achar que, com uma varinha mágica, vai resolver a questão da criminalidade, está escondendo da sociedade os reais problemas que a afligem". A afirmação vem justamente no momento em que a Câmara discute mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente - entre elas a proposta do governador Geraldo Alckmin de ampliar de três para oito anos o prazo de internação de menores infratores. "Qualquer tentativa de redução da maioridade penal é inconstitucional", afirma. A criminalidade, ressalta, não tem respos...

PEC 33 pretende abolir separação dos poderes

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PEC 33 pretende abolir separação dos poderes » Por: Ophir Cavalcante Júnior Aos poucos, mas a passos seguros, o Brasil adentra na maturidade democrática. É certo que as tensões entre os Poderes existem — e sempre existirão — por ser inerente ao próprio sistema de freios e contrapesos onde repousa o Estado Democrático de Direito. O fato de o Poder Judiciário decidir questões que, originariamente, deveriam ser votadas e decididas pelo Parlamento não significa judicializar a política, mas delinear suas balizas a partir da própria Constituição, que foi, em última análise, produzida pelos legisladores eleitos pelo povo. Portanto, as decisões do Supremo, todas tomadas a partir da provocação de legitimados para fazê-lo, inclusive pelos próprios parlamentares (ver caso dos royalties do pré-sal e t...